5 investigadores da Polícia Civil foram presos em flagrante

Publicado por | 08/07/2008 | Sem categoria

5 policiais são presos em Cuiabá

Vítima de extorsão criou coragem e denunciou crime à Polícia Federal, que o encaminhou ao grupo de promotores e agentes especiais

Cinco investigadores da Polícia Civil foram presos em flagrante acusados de extorsão. Um deles, Enoque Fernandes Leite, foi surpreendido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no Centro de Cuiabá quando recebia dinheiro exigido de homem. Os outros – Hélio Martino de Oliveira Filho, Odir da Silva Ávalos, Francisco Dias Lourenço, o Chicão, e Paulo Rogério Oliveira Moraes – foram presos pela Corregedoria da Polícia Civil.

A prisão aconteceu depois que uma vítima, que já vinha sendo extorquida pelos 5 policiais há mais de 4 anos, procurou a Polícia Federal. O caso foi encaminhado ao Gaeco na sexta-feira (4) que em parceria com a Corregedoria da PC desencadeou a operação ontem.

A vítima, que hoje tem 26 anos, foi presa no final de 2003 em um shopping da capital, acusada de estelionato. Após sua liberdade, conta que passou a ser perseguida e ameaçada pelos policiais, que exigiam quantias que iam de R$ 3 mil a R$ 4 mil para não armarem um flagrante e mandarem ela de volta para a prisão.

Ele relata que era constantemente algemado e levado para o Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Verdão. “Falavam que eu estava sob averiguação. O delegado dizia que se não houvesse flagrante, ia mandar os policiais para a rua para fazerem um”, disse ele.

De acordo com a vítima, nesse período em que foi extorquida, já pagou mais de R$ 20 mil. Ela relata que abriu mais de 30 contas em diversos bancos com nomes falsos, para conseguir o dinheiro para pagar os policiais. Disse que não denunciou antes por medo, principalmente por ter 4 filhos. Neste período, afirma que também mudou mais de 30 vezes, na tentativa de não ser localizado. “Mas Cuiabá e Várzea Grande são pequenos demais”.

Em uma das vezes que foi parar no Cisc Verdão, a vítima afirma que tinha acabado de comprar um automóvel e tinha uma procuração do antigo dono. Como não tinha o dinheiro para pagar a propina exigida, os policiais rasgaram a procuração e mantiveram o carro apreendido até que a vítima conseguiu vendê-lo. O novo proprietário foi buscar o carro no Cisc e mais uma vez a extorsão foi concretizada.

A vítima relata que um delegado estava sempre envolvido nas ameaças. Ele relata que trata-se de um senhor grisalho, de voz grossa, branco, magro.

Depois da prisão em 2003 e das inúmeras extorsões que passou, ele acabou preso mais três vezes por causa das contas que abriu. Chegou a passar mais 8 meses na prisão.

Agora, a vítima afirma que teme represálias. “Eles vão ficar cinco dias preso e vão sair. Agora, tenho que fazer um Pax (plano de assistência a funeral) e esperar”.

A vítima afirma ainda que conhece pelo menos mais 15 policiais civis que “tomam dinheiro na rua” e mais de 20 pessoas que são extorquidas. “Tem uma advogada que adora montar o parquinho para levar as pessoas para o Cisc”, apontando que além de policiais e um delegado há também esta advogada envolvida nos esquemas de extorsão.

A vítima espera agora ser incluída no programa de proteção à testemunha, vendo esta como sua única alternativa.

O flagrante – A procuradora-chefe do Gaeco, Eliana Maranhão, relata que após o Gaeco receber a denúncia foi feito o flagrante junto com a própria vítima que gravou as conversas com seu telefone. O encontro com o policial Enoque foi marcado próximo a um hotel abandonado, no cruzamento da Avenidas Getúlio Vargas e Rua Barão de Melgaço, no centro de Cuiabá, onde sempre eram feitos os pagamentos. Na última vez que os policiais pegaram a vítima, exigiram R$ 2 mil e mais 10 “bolas” de arame (material usado para fazer cerca). O valor foi negociado e chegaram a R$ 700 e 5 “bolas” de arame.

O encontro foi marcado e de longe o Gaeco filmou tudo. O policial pegou as “bolas” de aço e passou para carro dele e pegou o envelope com os R$ 700. Neste momento foi dada a voz de prisão em flagrante.

Enquanto isso, os outros quatro policiais eram presos nos locais de trabalho pela própria Polícia Civil. Todos foram encaminhados para o Gaeco e depois para a corregedoria da instituição, onde foram ouvidos na noite de ontem.

O corregedor da polícia, Paulo Vilela, informou que as investigações vão continuar e que será instaurado processo administrativo disciplinar contra os policiais presos. A pena por extorsão pode variar de 7 a 15 anos.

Lotação – Com exceção do investigador Chicão, que hoje está lotado no Cisc Planalto, os outros 4 investigadores trabalham atualmente no Cisc Verdão. Chicão, no entanto, já foi chefe de operação no Cisc Verdão por vários anos.

Fonte: Jornal A Gazeta

Andréia Fontes
Da Redação

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