Morre escritor mato-grossense Ricardo Guilherme Dicke

Publicado por | 09/07/2008 | Sem categoria

Morre escritor Ricardo Dicke em Cuiabá

O escritor mato-grossense e artista plástico Ricardo Guilherme Dicke, 71, morreu, nesta quarta-feira (9), no hospital São Mateus, em Cuiabá (MT), onde estava internado desde o último sábado (5), em estado crítico, devido a uma parada cardiorespiratória. O hospital registrou o óbito do autor de “O Salário dos Poetas” às 10h e atribuiu a uma insuficiência respiratória aguda.

O velório começou nesta tarde no Centro Cultural da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) e está previsto para ocorrer até 10h desta quinta-feira. O corpo será enterrado no Cemitério da Piedade. Desde os 26 anos, o romancista estava casado com Adélia Boskov Dicke.

Em 1967, o escritor ganhou o Prêmio Walmap de literatura com o romance “Deus de Caim” (editora Edinova). No júri, estavam Jorge Amado, Antônio Olinto e Guimarães Rosa. Considerado na época como a grande revelação de uma nova literatura brasileira, Dicke era apresentado no meio como o “autor descoberto por Guimarães Rosa”.

Em 1978, Dicke ganhou o Prêmio Remington de Prosa com “Caieira” (editora Francisco Alves). Em 1981, faturou o Prêmio Ficção de Brasília, da Fundação Cultural do Distrito Federal, com “Madona dos Páramos” (editora Antares).

No programa “Abertura”, da extinta TV Tupi, o cineasta Glauber Rocha, com um exemplar de “Caieira” em mãos, bradou para as câmeras: “Vocês precisam ler este livro”.

Dicke ainda publicou, em 1989, “Último Horizonte” (editora Marco Zero) e, em 1995, “Cerimônia do Esquecimento” (Editora da Universidade Federal de Mato Grosso), com o qual levou o Prêmio Literário Orígines Lessa.

Em entrevista à Folha, em março de 2001, o escritor falou sobre a dificuldade de publicar seus livros. “Em Cuiabá, ninguém vira grande escritor. Só morando em São Paulo ou no Rio”, disse.

Filho de pai alemão, que fugiu da Segunda Guerra para o Paraguai e, depois, aportou na pequena Vila Raizama, na Chapada dos Guimarães (Mato Grosso), Dicke começou a ler mexendo na biblioteca da família.

Mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar Ciências Sociais. Lá, escreveu uma tese de mestrado sobre o mentor Guimarães Rosa, “Conjunctio Oppositorum no Grande Sertão”, que foi publicada, e voltou para Cuiabá.

Aproveitando-se da lei de incentivo fiscal de Mato Grosso, Dicke lançou por conta própria dois romances, “O Salário dos Poetas”, a história de um ex-ditador de um país sul-americano exilado no Brasil, e “Rio Abaixo dos Vaqueiros”.

Fonte: Folha de São Paulo

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